A história por trás do novo Volvo FH16 700
Após quase três anos de desenvolvimento, está finalmente pronto – o Volvo FH16 de 700 cv. A equipa por trás do novo motor D16 venceu o desafio – combinar uma maior potência com emissões mais baixas, sem aumentar o consumo de combustível.
O
novo camião é um Volvo FH16 com um motor de 16 litros e 700 cv, certificado para os requisitos da legislação Euro 5 relativa a emissões da União Europeia. Trata-se de uma linha motriz criada para lidar com as consignações de transporte mais exigentes em mercados de todo o mundo.
“Foi-nos pedido para desenvolvermos um motor mais potente que estivesse em conformidade com as normas relativas a emissões que vão entrar em vigor, mas sem comprometer o consumo de combustível ou os restantes parâmetros de desempenho”, relata Henrik Lindeberg, chefe de projecto do novo motor D16.
“Conseguimos desenvolver um motor para clientes que precisam de algo verdadeiramente poderoso ou que pretendem obter as margens de segurança necessárias para lidar com os desafios colocados pelos ambientes de trabalho mais exigentes.”
O novo motor baseia-se no FH16 de 660 cv disponível no mercado há pouco mais de dois anos. Um dos principais problemas abordados pela equipa do projecto foi o equilíbrio entre as emissões reduzidas e o consumo de combustível. As elevadas temperaturas de combustão permitem uma maior eficiência ao nível do consumo de combustível, mas com o inconveniente de originar emissões mais elevadas de NOx (óxidos de azoto).
“Foi por esse motivo que muito do nosso trabalho abrangeu a obtenção de soluções e melhorias técnicas para reduzir o consumo de combustível”, afirma Henrik Lindeberg.
Os novos requisitos Euro 5 relativos às emissões de gases de escape entram em vigor a 1 de Outubro de 2009. O foco destas normas mais exigentes reside, acima de tudo, nas emissões de óxidos de azoto (NOx), que haviam já sido reduzidas em 30 por cento entre as normas Euro 3 e Euro 4. Agora, com a norma Euro 5, as emissões de NOx irão ser reduzidas em cerca de mais 40 por cento.
O desenvolvimento do novo motor foi dificultado pelo facto de nem todos os aspectos da norma Euro 5 estarem totalmente definidos quando o projecto arrancou. Os níveis de emissão estavam definidos mas os requisitos relativos ao sistema OBD - Onboard Diagnostis como, por exemplo, o tempo de condução permitido após a detecção de uma falha nos níveis de emissões, ainda não haviam sido totalmente examinados ou definidos. Mesmo assim, existiu uma pressão temporal considerável para concluir todos os testes de forma atempada.
O grupo do projecto consistiu num núcleo de sete ou oito pessoas que trabalharam em equipa durante quase três anos. Além disso, cerca de 20 pessoas colaboraram de forma permanente com o projecto. O processo de desenvolvimento arrancou há três anos com estudos conceptuais. Quais os materiais necessários? Electrónica, software? Como integrar o motor no veículo?
Henrik Ask é o gestor de projectos de engenharia para o motor D16.
“Efectuámos avaliações e criámos um menu com o pretendido, de modo a criar as melhores propriedades e a melhor qualidade possível. Depois testámos diversas soluções para verificar que tecnologias melhor se adaptavam aos nossos desejos e necessidades”, relembra Henrik Ask.
Ask refere que o novo motor assenta ainda mais na tecnologia de “limpeza” dos gases de escape SCR – redução catalítica selectiva – introduzida no motor Euro 4 para aumentar a eficiência do consumo de combustível. O sistema de lubrificação inclui um novo termóstato que assegura a manutenção da temperatura do óleo no nível ideal, reduzindo as perdas por fricção e o consumo de combustível. Um novo desenho do pistão e um novo tipo de óleo do motor ajudam a reduzir o consumo de combustível.
“Desenvolvemos ainda mais o travão de escape VEB+ – um travão auxiliar que reduz a carga sobre os travões das rodas. Graças ao controlo electrónico, conseguimos eliminar diversos componentes móveis. Tudo isto resulta numa maior fiabilidade, num peso reduzido e num melhor controlo”, afirma Henrik Ask.
Após cerca de um ano e meio de desenvolvimento, o conceito ficou decidido e a equipa passou ao desenvolvimento dos detalhes. Os engenheiros produziram protótipos, os quais foram exaustivamente testados em ambiente de laboratório antes de serem instalados em veículos de teste completos para se realizarem os testes iniciais no ambiente local.
A esta fase seguiram-se exigentes testes de campo com clientes para garantir a fiabilidade e a robustez do camião final e a obtenção do débito de potência e da conformidade com as normas de emissões elevadas.
“Por exemplo, realizámos testes de campo com conjuntos enormes na Austrália. Conjuntos com pesos combinados brutos de 100-150 toneladas que percorreram distâncias extremamente longas, sob o calor do deserto, em estradas em péssimas condições e com 500-600 quilómetros de distância entre estações de serviço. Tratam-se de clientes inestimáveis que nos forneceram um feedback construtivo”, diz Henrik Ask.
Outras situações extremas envolveram testes de campo com o transporte de longo curso de madeira no norte da Suécia, testes na Sierra Nevada, em Espanha, e nas montanhas do Colorado, nos EUA. Nesses testes, os camiões foram sujeitos a condições de frio extremo em altitudes de 3600 metros. Os camiões foram igualmente submetidos a “clínicas de clientes” com resultados positivos. Foi permitido aos clientes conduzirem os novos camiões sem que lhes fossem reveladas as diferenças em relação ao modelo anterior.
“O seu feedback, em conjunto com os testes de campo, foi muito positivo. Essas respostas representaram a verificação final de que o grupo do projecto havia criado o motor e o camião pretendidos. E o resultado é a melhor prova de que o projecto e todo o grupo Volvo conseguiram corresponder às expectativas dos clientes e aos requisitos rigorosos relativos às emissões da norma Euro 5 sem aumentar o consumo de combustível.
“No novo FH16 os clientes que realizam operações de transporte exigentes e que percorrem longas distâncias obtêm uma combinação imbatível de potência e de consumo de combustível. O camião é tão robusto que nunca os irá desapontar”, refere Henrik Ask.■